sábado, 14 de Novembro de 2009

Capas de 14 de Novembro de 2009


Pedro Emanuel: Jesualdo é a pessoa certa para dar a volta


Pedro Emanuel descalçou de vez as chuteiras e abraçou a carreira de técnico nos sub-17 do FC Porto, mas não se desligou da equipa principal. Continua a estar nos almoços do plantel, a assistir aos jogos e tem uma opinião optimista sobre o momento da equipa. Em entrevista a O JOGO, o antigo capitão admitiu que a "máquina não está a funcionar", mas não duvida de que, em breve, tudo mudará, considerando Jesualdo Ferreira o homem certo para o fazer. À semelhança da época passada, recordou.

O FC Porto está a cinco pontos da liderança e numa fase menos boa. O que se passa?

Se todos se recordam,há um ano estávamos a falar do mesmo. Lembro-me de uma conferência de Imprensa, em Kiev, em que a situação do FC Porto era idêntica: estava um pouco melhor no campeonato, mas pior na Champions. O discurso tem de ser o mesmo: acreditar naquilo que o grupo de trabalho pode fazer, e acredito que o FC Porto vai dar a volta, até porque tem valor para isso. Vai entrar no caminho certo.

Privou três anos com Jesualdo Ferreira, considera que continua a ser a pessoa certa para dar a volta ao problema?

Absolutamente. Repito: há um ano a situação era idêntica e ficou provado que tínhamos mais do que valor para dar a volta e os resultados saltaram à vista. Fomos eliminados de uma forma infeliz nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, fomos campeões e ganhámos a Taça. Este ano está tudo em aberto. Sou defensor da máxima - 'não está tudo bem quando ganhamos, nem tudo mal quando perdemos'. Há que encontrar o equilíbrio das coisas, e é o que o FC Porto irá fazer nos próximos tempos, recuperando a confiança que muitas pessoas estão a tentar fazer crer que não existe.

Contudo, os adversários internos estão mais fortes do que na época passada…

Estão a fazer o trabalho deles. Normalmente, é o FC Porto quem está naquela posição e agora é o adversário. Compete ao FC Porto correr atrás do prejuízo e cumprir com a sua obrigação para voltar a estar no patamar a que habituou os adeptos, e que tem valor para estar.

O Pedro conhece o plantel. Acha-o tão forte como os anteriores?

É difícil desligar-me do grupo. Tenho sido convidado para alguns dos almoços da equipa, sinto que o espírito de grupo mantém-se intacto e isso é fundamental para o sucesso do trabalho. Conheço grande parte deles, com mais intimidade os que já lá estavam, e reconheço que a união existe. Não penso que será por aí que vem mal ao mundo. Um grupo unido tem mais facilidade para ultrapassar as dificuldades.

Considera, portanto, que não se notam as saídas do Pedro e do Lucho, jogadores importantes no balneário?

Não. O FC Porto é um clube ganhador, mas também vendedor. Todos os anos saem jogadores e é preciso colmatar, umas vezes com maior celeridade, outras menos. As adaptações nem sempre funcionam cedo. Quando a máquina começar a funcionar normalmente, os resultados vão aparecer.

E porque é que a máquina não está a funcionar?

De certeza que o grupo de trabalho já detectou o problema e vai solucioná-lo. Tenho a minha opinião, todos têm, mas não me parece correcto dá-la. Sou treinador das camadas jovens, um adepto do FC Porto que vive o clube, e tenho a minha opinião. Se fizermos uma sondagem haverá variadíssimos cenários, uns verdadeiros outros não. O que interessa é que o grupo arranje soluções.

Esta temporada, o FC Porto teve dois momentos distintos: um em que equipa funcionou bem e agora menos bem. Isso significa que o potencial está lá?

Precisamente. Há um ou outro resultado infeliz, mesmo esta derrota na Madeira em que sofremos um autogolo e desperdiçámos várias oportunidades; contra o Belenenses também produzimos o suficiente para ganhar. Mas não nos podemos desligar da realidade. São os resultados que ditam os momentos e, seguramente, ninguém gostaria que este estivesse a acontecer. Não é nada que já não se tenha vivido e que não possa ser ultrapassado.

Jorge Maia e Carlos Gouveia n' O Jogo.

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Capas de 13 de Novembro de 2009


Hulk e Quaresma: olha que dois


Ainda que por linhas tortas, o jornal italiano que ontem os juntou na mesma notícia até escreveu algo bem direitinho: Quaresma e Hulk estão cada vez mais parecidos. Trocar um pelo outro, como sugeria a tal notícia, e mesmo que não passe de um exercício de boataria, ajuda a atrelar a ideia das semelhanças, que já terá circulado pela cabeça de muitos adeptos portistas nos últimos jogos. Aliás, este Hulk mais recente fez com que alguns deles arrancassem os cabelos que tinham sobrado desde a partida de Quaresma. Um e outro são muitos talentosos, ninguém de perfeito juízo duvida, (e devo aqui confessar a minha enormíssima simpatia e tolerância por jogadores assim, de entretenimento puro) mas o sentido prático, é preciso reconhecer, não parece fazer parte da filosofia de nenhum dos dois. Agora que os juntaram na mesma notícia, Quaresma pode servir de lição-choque para Hulk: no futebol actual, jogadores assim, indiferentes aos outros, estão condenados à bancada. E é uma pena que Quaresma tenha passado o último ano sentado, em vez de sentar adversários. Isto quando depois de os sentar cruzava bem, claro.

Hugo Sousa n' O Jogo.

O fantasma de Lucho


1 O FC Porto naufragou nos Barreiros. Mais uma vez, o resultado foi melhor que a exibição. Só que nem isso chegou para empatar... É extraordinário que, depois do que se vira no jogo contra o Apoel, Jesualdo tenha escolhido precisamente a mesma equipa. É espantoso que continue a apostar num processo de jogo tão previsível que qualquer adversário consegue contrariar.
Naturalmente, não falta quem encontre explicações implausíveis para tudo isto. Ou são os assobios dos adeptos, ou é A BOLA e a RTP, ou são as críticas do Miguel Sousa Tavares, ou é o estado do relvado, ou é o cansaço. Também eu, reconheço, procurei encontrar explicações nas lesões, na adaptação dos recém-chegados, na falta de forma de algumas das importantes peças do plantel. Não nos levem a mal. No fundo, todos nós portistas esperávamos com maior ou menor impaciência que, tal como aconteceu no ano passado, o FC Porto iria conseguir recuperar.

Mas vi o jogo com o Marítimo, ouvi as declarações de jogadores e do técnico, e cheguei à triste conclusão de que essas desculpas generosas são incompletas e requentadas.

2 Começo pelo cansaço de que Meireles se queixa. Pois bem, gostaria que alguém da equipa técnica me explicasse porque razão mantêm o Raul em campo. E, já agora, gostaria que o jogador esclarecesse como escapa ao cansaço quando joga pela Selecção.

Fala-se, depois, nas lesões. Ora, sendo certo que ainda há alguns lesionados, apenas dois deles eram titulares antes desse impedimento: Varela e Fucile. Será que o FC Porto depende assim tanto deles? E, recuperado que está da lesão, porque não joga Belluschi que, apesar de tudo, é o único médio que consegue construir jogadas de ataque?

3 Começo a acreditar que o problema é outro e, porventura, bem mais complicado. É que, ou não temos jogadores para interpretarem os processos de Jesualdo — e isso seria gravíssimo porque o treinador avalizou as suas contratações — ou é o processo que está esgotado.

Na primeira hipótese, só espero que cheguemos a Janeiro ainda em luta pelo título e que, então, a SAD saiba encontrar um reforço que faça a diferença. Mas fica a preocupação adicional de já termos o plantel mais caro do País, numa altura em que o Benfica está à nossa frente, na classificação e em qualidade. Se o problema é, como julgo, de processos, então é preciso que Jesualdo compreenda, ou alguém lhe explique e imponha que não pode jogar num sistema táctico que só funcionava com Lucho. Na equipa do FC Porto não há lugar para fantasmas.

4 A verdade é que há muitos, muitos anos que não via um desempenho tão fraco do meu clube. Pior do que a táctica, ou a forma, é a incapacidade de lutar conta o infortúnio. Sempre houve, com todos os treinadores, dias infelizes e de pouca inspiração, mas não me lembro, nem nos tempos de Octávio, de uma equipa tão pouco aguerrida e tão desorganizada.


Um desperdício
QUE Jesualdo opte por Helton é uma opção que alguns adeptos aplaudem e os outros acatam. Mas numa situação em que o titular se lesiona no aquecimento, é incompreensível que o treinador não recorra ao suplente. Dirão, justamente, que não foi por culpa dele que a equipa perdeu. Dirão que a aposta foi boa, porque o brasileiro aguentou o jogo, apesar da visível inferioridade. Dirão que não se pode garantir que a utilização de Helton tenha agravado a sua lesão. Mas reconhecerão que foi um voto de desconfiança na alternativa, que reduz Beto à total irrelevância. Com que moral estará Beto, agora que tem de jogar, quando sabe que o treinador o preteriu numa situação em que Helton estava condicionado?

Vícios de rico
PREDIGUER custou mais de quatro milhões de euros ao FC Porto. Pelo que dele vi, na sua aparição contra o Sertanense, nada tenho a opor à sua contratação, ainda que nada tenha feito de especial. Mas se já me surpreendia que não tivesse sido inscrito na Liga dos Campeões, ainda mais me espanta quando vejo que não é opção. Pois, dizem-me que ele terá de passar pelo laboratório, que terá de se aclimatar ao futebol europeu, que é preciso dar tempo ao tempo. Clube rico, este, que empresta Castros e tantos outros, que vêm da formação, mas que se dá ao luxo de contratar uma vaga esperança por um preço tão elevado, quando a equipa precisava de alternativas experientes para o meio-campo.

SLB 'forever'
O senhor Lucílio Baptista (SLB) — e é por mero acaso que as suas iniciais e as do clube coincidem —transformou-se num talismã do Benfica. O futebol sempre teve destas magias. Mas o que parece ser uma excessiva coincidência é que, depois da sua influente arbitragem na final da taça da cerveja, tenha contribuído — inadvertidamente é claro — para que o Benfica partilhe a liderança com o Braga. À arbitragem em Vila de Conde, onde os minhotos foram espoliados de dois pontos, seguiu-se a da Luz, em que não viu um penalty a favor dos visitantes mas viu falta inexistente do tanguista Di María, que resultou em golo. O Benfica jogou bem e mereceu ganhar mas não precisa de tantos empenhos.

O braço-de-ferro
QUEIROZ e Madail estão de parabéns. Ganharam o braço-de-ferro contra o Real Madrid, obrigando Cristiano Ronaldo a apresentar-se em Lisboa, para logo ser dispensado por não estar em condições de poder alinhar nos jogos contra a Bósnia. Há quem pense, por isso, que foi teimosia, mas é preciso compreender que, se a Federação cedesse à pressão madrilena e tomasse como bom o diagnóstico espanhol, estaria a subverter os princípios e a criar um perigosíssimo precedente, deixando que fossem os clubes a decidir, a todo o tempo, se um atleta pode ser convocado. As regras são feitas para serem cumpridas e não pode haver, neste capítulo, qualquer contemplação, excepção ou discriminação.

Rui Moreira n' A Bola.

Selecção e o resto


AMANHÃ, a Selecção joga quase tudo. O tornozelo de Ronaldo, a birra de Nani, a esperança com folga a mais, o excesso de entusiasmo - joga quase tudo. Joga contra a Bósnia e isso é uma miragem (ai de nós!) depois de a eliminação ter estado à vista por duas ou três vezes, e termos saltado por cima. Nestas condições, estamos todos com a Selecção, como um coro de selvagens desafinados, que é isso que somos a ver futebol, sem dar espaços ao adversário. Vão pelas alas, vão pelo miolo, vão por todo o lado - mas marquem e joguem melhor. Tem de ser.
Gosto de ouvir o treinador do FC Porto porque, tirando as fases de obnubilamento téorico, é dos melhores técnicos a ler o jogo, a interpretá-lo e a tirar as ilações necessárias. Por isso, estranhei que, em vez de pôr a equipa a rodar (coisa que ele sabe fazer, como se comprova pelos três títulos consecutivos), rezingasse contra os que falam de «mau futebol». É um assunto permanente que acompanha os ciclos negativos do FCP. E eu pensei: bom, vamos sofrer no Funchal. Dispus-me, de coração à mostra. Pois nem de propósito, Jesualdo Ferreira avisou antes do jogo com o Marítimo que se tratava de sofrer - ou de prolongar o sofrimento. Há uns tempos, escrevi que «Jesualdo tem de entender o sofrimento dos outros - de nós, que não sabemos de arquitectura e de sistema tirado à esquadria, mas que estamos sentados em redor do relvado a contar os minutos de jogo.» Agora é um ponto sem retorno: o Marítimo ganhou bem e mostrou que há ciclos que terminam. Já disse.

Mas o que me aflige (de aflição duradoura e sem diplomacia) é o tom entristecido das declarações de Jesualdo no final do jogo do Funchal: que a equipa, quando despertou e «percebeu» as suas indicações, já era tarde. Tarde? Uma equipa de profissionais que joga na Champions, que devia ter atrás de si um lastro de memória a honrar quatro campeonatos ganhos sem mácula - e é tarde? Não, não é tarde. É, antes, caso de arrumar a casa e de começar de novo. Para isso ainda não é tarde. Uma pergunta: quanto tempo dura o efeito do Orange blast? Há cada pergunta.

Francisco José Viegas n' A Bola.

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Andebol - Porto ganha

O FC Porto Vitalis qualificou-se, esta quarta-feira, para os oitavos-de-final da Taça de Portugal de andebol, ao vencer o Belenenses, no Pavilhão Dragão Caixa, por 36-23. Superiores em todos os momentos, os Campeões Nacionais mostraram-se particularmente imparáveis nos últimos 15 minutos, ampliando de forma expressiva a diferença no marcador.

Os golos azuis e brancos foram apontados por Tiago Rocha (7), Nuno Grilo (5), Filipe Mota (5), Ricardo Moreira (5), Inácio Carmo (4), Dario Andrade (4), Pedro Spínola (4), Filipe Martins (1) e Alexandre Relvas (1).

Capas de 12 de Novembro de 2009


Hulk faz falta é animar a malta


Os portistas depositam grandes esperanças nesta presença de Hulk na selecção do Brasil. Há os mais pragmáticos, que fazem esses depósitos em dinheiro, antecipando a valorização do avançado depois de jogar na "canarinha". E há os mais idealistas, que depositam as suas esperanças na motivação do jogador. Esses esperam que Hulk goste da experiência. Que goste tanto que faça questão de a repetir, quem sabe até de a prolongar até ao Mundial da África do Sul. Para conseguir convencer Dunga a levá-lo com ele perante a concorrência de avançados do calibre de Luís Fabiano ou Robinho, entre muitos outros, Hulk terá de ser o melhor Hulk possível no que resta de campeonato e não esta sombra que se tem arrastado pelos campos da Liga Sagres nos últimos tempos. E é precisamente desse Hulk heróico que o FC Porto precisa e que os adeptos mais idealistas do tetracampeão nacional esperam ver regressar ao Dragão no final da próxima semana, para atacar o segundo terço do campeonato.

Jorge Maia n' O Jogo.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Capas de 11 de Novembro de 2009


Repetições históricas


Acho que foi um tal de Niels Bohr quem disse que é muito difícil fazer previsões, especialmente sobre o futuro. Era dinamarquês e físico, o Niels Bohr, e deu um contributo essencial para a compreensão da estrutura atómica e da física quântica. Consta entre os amigos íntimos que era esperto como um alho, e deve ser por isso que preferia não fazer previsões, especialmente sobre o futuro. Eu, que não percebo nada de física quântica e ainda menos de estruturas atómicas, eu que no meu círculo íntimo sou descrito muitas vezes como espertinho e raramente como esperto, eu não me ensaio nada no momento de fazer previsões. E o que prevejo é que o FC Porto do futuro seja melhor que o actual. Bem sei que não é uma previsão muito arriscada. Afinal, como também dizia o Niels Bohr depois de umas quantas Carlsberg - a patrocinadora da Taça da Liga também é dinamarquesa - para pior já basta assim. De facto, se há algo a que os portistas se podem agarrar nesta fase complicada, é à certeza de que o FC Porto tem muito por onde melhorar. De resto, já assistiram a este filme antes. E se há coisa que a história demonstra é que tem a tendência para se repetir. E se há coisa que a história demonstra é que tem a tendência para se repetir.

Jorge Maia n' O Jogo.

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Capas de 10 de Novembro de 2009


Três quedas anunciadas


SEXTA-FEIRA caiu Paulo Bento no Sporting; sábado caiu o Sp. Braga em Guimarães; e domingo caiu o FC Porto no Funchal. Para quem está atento ao futebol, nenhum destes desabamentos do fim-de-semana traz espanto algum.
Paulo Bento caiu por exaustão: mesmo a Senhora de Fátima, que dizem que faz tantos milagres, de vez em quando deve cansar-se. Se um clube não tem dinheiro, não pode comprar bons jogadores; se não tem bons jogadores, não pode ter uma boa equipa; se não tem uma boa equipa, ainda poderá disfarçar durante um tempo, mas fatalmente acabará por não ter bons resultados; e, sem equipa e sem resultados, não há nenhum treinador do mundo que se aguente. Tão simples quanto isto. Muito gostaria de saber o que fariam os tais «terroristas» de que fala Bettencourt, sentados na cadeira de Paulo Bento: conseguiriam transformar o Caicedo ou o André Marques ou o Pedro Silva ou o Postiga em bons jogadores? Ou conseguiriam inventar dinheiro, esgravatando nos já tantas vezes vendidos, revendidos e voltados a vender terrenos de Alvalade? Isto, a curto prazo. Porque, a longo prazo, pode ser que eu esteja enganado, mas mantenho a tese aqui exposta há uns tempos: há duas instituições em Portugal cujo destino inexorável me parece ser a morte lenta (visto que morte súbita não há, por aqui) — o PSD e o Sporting Clube de Portugal. Para já e como se viu, a saída do «suspeito n.º 1» não teve o efeito milagroso que os «terroristas» esperavam…

Caiu o Braga em Guimarães e com toda a lógica e justiça. Pese à simpatia que me merece Domingos Paciência e à infinita gratidão e saudade que tenho pelo seu passado de n.º 9 do FCP, eu tinha-me abstido, até agora, de abordar o desempenho do Braga e, menos ainda, de embarcar no coro de loas de tantos comentadores ávidos pelo aparecimento de mais um «candidato», fora do clube dos três. Compreendo e subscrevo o desejo, mas ele não passa disso: o Braga não é candidato. Não é, como o Guimarães nunca chegou a sê-lo há dois anos e como o Boavista de outros tempos também nunca o foi — excepto nas circunstâncias descritas no livro do Fernando Mendes, sobre o qual tem recaído um eloquente silêncio geral. O Braga não é candidato, como bem se viu em Guimarães, porque lhe falta cultura e atitude de vitória, regularidade na concentração e vontade, capacidade de querer, de acreditar, de ousar. E falta-lhe também uma equipa à altura dos desejos: tinha melhor, bem melhor equipa, no ano passado, quando «o novo Mourinho», como lhe chamou António-Pedro Vasconcelos, não conseguiu melhor do que um quinto lugar no campeonato. Este ano, o Braga tem uma boa defesa, um meio-campo aceitável, um ataque onde só Alan tem verdadeira categoria e um guarda-redes, que é o da Selecção, ilustre continuador da escola do seu antecessor, Ricardo — para quem cada bola aérea é um drama sem solução. É curto, é pouco, a juntar à falta de hábitos de conquista, para justificar uma candidatura ao título. E só lamento, pessoalmente, que a extensão do meu último texto não me tenho permitido dizer isto mesmo a semana passada — justamente após a vitória sobre o Benfica, que não me convenceu.

Enfim, a terceira queda do fim-de-semana foi a do FC Porto às mãos do Marítimo. Quem, como eu, segue há tanto tempo e tão atentamente as sucessivas equipas do FC Porto, já podia prever facilmente o que ia suceder — e sobre isso, sim, venho escrevendo aqui, há algumas semanas. Bastou-me ver os primeiros quinze minutos de jogo, para mandar um sms a um outro portista: «Hoje perdemos».

Deixem-me ser directo: depois da última época de transacções (o momento futebolístico que eu mais temo em todo o ano!), o FC Porto ficou reduzido apenas a quatro bons jogadores: o Rolando e o Bruno Alves, o Falcão e o Hulk (embora a léguas do desempenho do ano anterior). Depois, tem cinco jogadores razoáveis e não mais do que isso: o Fucile, o Fernando, o Belluschi, o Meireles e o Rodriguez (estes dois últimos também em forma deplorável). E dois ou três, como o Nuno André Coelho e o Beto, que ainda não dispuseram de oportunidades para mostrarem o que valem. Tudo o resto são jogadores banais ou menos do que isso. É curto, também.

Ora, acontece, para agravar as coisas, que Jesualdo Ferreira — que tão bom foi a reconstruir equipas em anos anteriores — não parece ter percebido ainda que, desta vez, lhe deram cabo da equipa. E, onde as circunstâncias exigiam capacidade de inovação, de rasgo, de ousadia, tudo tem esbarrado no inamovível conservadorismo de Jesualdo. Jogo após jogo, ele parece preso da expectativa do milagre salvador do Hulk ou do Falcao (como sucedeu em Nicósia), ou então do ainda mais imprevisível milagre de ver gente como o Mariano, o Guarín, o Tomás Costa, o Sapunaru transformarem-se em bons jogadores.

No Funchal, concorreu ainda mais uma das características do seu enervante conservadorismo: ele precisa de 45 minutos inteiros para perceber o que já toda a gente percebeu — que a equipa não está a jogar nada e que é preciso mexer nela. (Contra o Belenenses, a pior equipa do campeonato, nunca consegui recuperar os danos de meio jogo desperdiçado; em Malta, safou-se a cinco minutos do fim; e, no Funchal, lixou-se com toda a lógica, uma vez que a primeira oportunidade de golo só apareceu aos 80 minutos e a segunda e última já nos descontos. E foi uma sorte não ter ido para o intervalo a perder por 3-0, se as baldas habituais de Helton no jogo aéreo tivessem tido as consequências lógicas). Incrível como é que não percebe que o grande problema desta equipa está no meio-campo e como é que, ao menos, não dá uma oportunidade ao miúdo Sérgio Oliveira (que, de castigo por tanto ter prometido no jogo da Taça, nunca mais foi convocado)? Como é que prefere ter o Belluschi, o único criativo, no banco, e o Guarín em campo — como sempre sem perceber sequer onde devia jogar, nem ao menos lhe ocorrendo tapar as auto-estradas abertas pelo Sapunaru, das quais nasceria o golo do Marítimo? Como é que, tendo finalmente entendido que o Guarín era um sitting duck, resolve trocá-lo por outro ainda pior — o Mariano — cuja «disciplina táctica», tão apreciada pelo treinador, é levada tão à letra que, quando recebe ordens para ocupar o flanco direito médio, já não sai mais dali: nem para avançar, nem para vir atrás ajudar!?

Sim, já sei: apesar da «crise de exibições», estamos com os mesmos pontos do ano passado e «apenas» a cinco de Braga e Benfica. E estamos nos oitavos-de-final da Champions. Contra factos não há argumentos? Há, sim, há este outro facto: esta equipa não joga nada. E, quando não se joga nada, o futuro não é risonho. Que o diga o Paulo Bento…

PS: Meu caro Eduardo Barroso: julgas e julgas bem que tenho amizade por ti. Julgas mal que tenho «alguma consideração profissional»: tenho toda, muitíssima mesmo. E uma grande admiração pelo homem a quem ouvi uma das frases-guia da minha vida, naquele célebre debate televisivo com o eng.º Macário Correia, pregando o fascismo antitabagista e exibindo, impante, a sua fantástica saúde de não fumador: «Olhe que a saúde é um estado passageiro que não augura nada de bom!». Mas, francamente, ó Eduardo, quando te vi, aqui há umas semanas, a queixares-te e a suspeitares do árbitro do Porto-Académica, porque ele tinha validado os dois primeiros golos do Porto — os quais tu reconhecias que tinham sido legais, mas que, em tua opinião, podiam perfeitamente ter sido também considerados off-side por um árbitro e um liner menos atentos — eu confesso que tive de ler três vezes para ter a certeza de que não estava enganado! Já não te chega viveres a queixares-te dos erros, reais ou supostos, dos árbitros: agora queixas-te também dos não-erros contra os adversários!

Olha, mas, nestes tempos dolorosos para ambas as nossas cores, mando-te um abraço solidário pelo desfecho do Nacional de juniores, que o ilustre CD da Liga (o mesmo que quis enfiar o Benfica na Champions pela porta do lixo e à custa do FC Porto), queria atribuir ao Benfica. Felizmente não passou no CJ a tentativa infame de fazer campeões através da invasão planeada de campo para evitar a realização do jogo decisivo! E agora, espero que, se forem buscar o André Vilas-Boas à Académica, não o façam à Benfica…

Miguel Sousa Tavares n' A Bola.

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Liga Sagres - Classificação


Capas de 9 de Novembro de 2009


domingo, 8 de Novembro de 2009

Convocados

Bruno Alves, Rolando e Raúl Meireles.

Formação - resultados de hoje


Sub-17: Campeonato Nacional de Juniores B
Boavista-FC Porto, 1-1
(Tozé, 49m)

Sub-16: Campeonato Nacional de Juniores B
Padroense-Freamunde, 4-0
(Edu, 55 e 70m; Frederic, 65 e 75m)

Sub-15: Campeonato Nacional de Juniores C
FC Porto-Gondomar, 3-0
(André Ribeiro, 11m; Francisco Ramos, 55 e 65m)

Sub-14: Campeonato Distrital de Iniciados (I Divisão)
FC Porto-Senhora da Hora, 3-3
(Filipe Vieira, 35m; Tiago Garcia, 68m; Rui Moreira, 78m gp)

Sub-14: Campeonato Distrital de Iniciados (II Divisão)
Gervide-FC Porto, 0-12
(Toni, 6 e 11m; Tomás Mota, 25 gp, 32, 41 e 66m; Emanuel Alves (36, 37, 51 e 64m; João Duarte, 44m; Diogo Verdasca, 62m)

Sub-11: Campeonato Distrital de Juniores E (Futebol de 7, Série 5)
FC Porto-Amarante, 28-1
(Alexandre Lopes, Diogo Fernandes (6), Jorge Ferreira, Dylan Barbosa (2), Hugo Almeida (4), Eduardo Marinho (2), Fernando Braga (3), André Pinhal (4) e Nuno Valente (5)

Superleague Formula - Porto em 5.º lugar

O FC Porto terminou na quinta posição (302 pontos) a edição 2009 da Superleague Formula, competição que junta nas pistas alguns dos principais emblemas de futebol do planeta. Nas duas corridas de Jarama, disputadas este domingo, o carro azul e branco, tripulado por Tristan Gommendy, foi 6º e 5º, averbando 61 pontos ao longo desta jornada espanhola e subindo, por isso, dois lugares na geral.

Liga Sagres - Porto perde

Marítimo 1 - FCPorto 0.



Capas de 8 de Novembro de 2009